História
Saiba porquê a Costa Rica é um país diferente do resto da América Central
A Costa Rica é diferente do resto da América Central, e mesmo da América Latina, pois seu povo distribui a riqueza, terra e poder de uma forma muito mais igualitária. Não há um sistema de bem-estar e uma democracia parlamentar similares. Não é um desenvolvimento recente, mas o resultado de uma consolidação duradoura e padrões sociais que originam dos dias coloniais e de fatores geográficos e culturais únicos.
Com sua eterna boa sorte, a Costa Rica foi a colônia centro americana mais esquecida, principalmente por ser a mais distante do governo baseado na Guatemala. Com o início da colonização de larga escala, apenas 330 colonos espanhóis reclamaram terras na Costa Rica até 1611 porque não tinha o que os conquistadores queriam: riquezas minerais (ouro e prata), ou uma população indígena abundante para trabalhar nas fazendas.
Assim como a Guatemala e El Salvador, a Costa Rica foi transformada pelo café no século XIX, atraindo capital estrangeiro e mercadores imigrantes, promovendo o desenvolvimento de estradas e ferrovias.
O maior de seus modernizadores, o Presidente Tomas Guardiã Gutierres, chamou engenheiros americanos em 1871 para propor a construção de uma ferrovia ligando o platô central colonizado até Puerto Limon, no Atlântico. Minor Cooper Keith ganhou a concessão e, inicialmente, recrutou trabalhadores chineses e italianos; mas quando muitos deles morreram de malária e febre amarela e outros deixaram seu trabalho em revolta, trabalhadores jamaicanos foram trazidos. Keith completou a ferrovia San José-Puerto Limon em 1890 e construiu para si mesmo um império de banana no processo. Ele conectou os centros de frutas estadunidenses de New Orleans e de Boston com o de San José, e da Costa Rica expandiu sua United Fruit Company para a Guatemala e Honduras.
A United Fruit desenvolveu uma grande influência na Costa Rica. A companhia cuidava da ferrovia e dos bananais, financiando grande parte das contas nacionais.
O movimento trabalhista nacional ganhou força na United Fruit durante uma série de greves que começou em 1913 e continuou pelos anos 30. A Vanguarda Popular Comunista liderou várias greves, mas falhou na tentativa de iniciar uma revolução.
Durante uma queda aguda dos preços do café ao longo da Primeira Guerra Mundial, o Presidente Alfredo Gonzáles Flores negligenciou a economia, criando um imposto de renda e usando o exército em um pesado regime que acabou com o direito de livre expressão.
Muitos governos latino-americanos voltavam-se ao fascismo alemão e italiano durante a Segunda Guerra Mundial. Mais uma vez, a Costa Rica foi diferente. O Presidente Calderon Guardia declarou guerra aos alemães muito antes dos EUA, confiscando grandes propriedades cafeeiras e bancárias alemãs. Em seu governo, ele também criou grandes iniciativas para expandir a assistência médica e os direitos trabalhistas, além do sistema de Segurança Social com benefícios sem precedentes na América Central.
Figueres era inteiramente anticomunista, um pragmático que fez uma aliança com mais plantadores de café conservadores e detestava os programas sociais e os altos impostos criados por Calderon. Nas eleições de 1948, Otílio Ulate foi eleito, mas as forças de Calderon anularam as eleições e prenderam Ulate.
Figueres juntou um pequeno exército e, com uma rebelião, deu início a uma guerra civil. Calderon foi derrotado e, juntamente com seu Ministro da Defesa, foi exilado para o México. Lá, sua esposa deu à luz a um futuro presidente da Costa Rica.
Mais tarde, deu-se início ao conflito entre os Sandinistas e os Contras. O Presidente Carazo ajudou os Sandinistas e tentou convencê-los a instalar um governo democrático, mas eles eram muito radicais. O governo mesmo se sentiu traído e destituiu Carazo, acusando-o de ajudar os Sandinistas.
Esse foi o início de um período que testaria os fundamentos da democracia da Costa Rica.
O exército foi abolido em 1948 mediante a redação de uma nova Constituição. Hoje, a Costa Rica segue sendo um país sem exército; o Quartel General foi transformado no Museu Nacional.
